sábado, 6 de outubro de 2007


A chuva tem um poder.

Leva-nos, em viagens interiores, a lugares adormecidos nos dias de sol.

Descobrimos veredas sombrias.

Ou caminhos largos de amor à vida.

Potencia o que em nós está dormente.

Por dentro. Acentua a dor, dá asas à alegria.

Tanto nos apetece deixá-la escorrer pelo corpo dançante

como protegermo-nos num casulo sem abertura.

A chuva cai. É o que dizemos.

A chuva entranha-se. Na terra e em nós.

Tal como arrasta terras e lama, revolve sentimentos.

Perguntamos. Perguntamo-nos. Sobre a vida.

Sobre nós. Por vezes não queremos resposta.

Talvez só a que vem da canção que soa nos vidros.

Murmura-nos palavras de tristeza. Conforto.

Purificação. A chuva é imprevisível.

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